O passado virou futuro
Por baixo dos cílios negros e compridos, os olhos cintilavam como mil estrelas. Ela o olhava fascinada, louca para chegar mais perto a ponto de sentir o cheiro de velho - que no entanto não a incomodava. A mãozinha branca estendeu-se até conseguir tocar a frieza dele. Sem medo, ela o agarrou nos braços, e esqueceu que tinha prometido nunca mais se envolver daquela forma. Mas bastou tê-lo com ela, e nada mais importava. As promessas viraram lembranças, o passado virou futuro, e lá estava ela de novo, voltando para a droga que a prendia todos os dias no quarto. A droga que a fazia esquecer dos amigos, das obrigações, da tecnologia, dos motivos que não a levavam a ele. Só ele. E então aconteceu aquilo que as pessoas chamam de amor. Dias, madrugadas, um pertencendo ao outro. Os lindos olhos dela, nele; as lindas palavras dele, nela. E foi assim, mágico, até o momento em que ela teve que devolvê-lo a biblioteca. A promessa? voltou à tona: nunca mais se apaixonar por um livro.
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