amor imortal
Era terrível de respirar ali, sozinha. Não me acalmar, não me contorcer, nem gritar pela dor. Não chorar, permanecer ali, entregue a dor até que ela cessasse.Como estar sentada emmeio a neve fria, enquanto a tempestade continuava e nem se quer se mover.Quando a força do desconforto se alterava era como estar submersa em uma piscina escura, funda, me mover e não alcançar a superfície. Estava congelando meus sentimentos me afundando em meu próprio sangue, faminta por sua companhia, com meu coração que insistia em pulsar a cada segundo, esperando para que a pessoa pelo qual pertencia viesse remontá-lo.Se eu pudesse fazê-lo ouvir tudo que por tanto tempo senti, pudesse convencer dessa tão pura verdade. Se pudesse fazer cada centímetro de meu corpo que sabia que sangrava ouvir que não sobreviveria se continuasse a pulsar por quem amava.Eu clamava por desmaiar ao invés de quere-lo aqui, então deixava minha mente descuidada, vendo-me sozinha ali, congelando e me afogando em meu próprio sangue.Sem se quer me mexer contra cada turbilhão, eu permaneceria aqui, quando conseguisse me levantar as mudanças seriam irreversiveis. Já podia sentir meu corpo constantemente cansado, o silêncio brigando para se apossar da dor, os olhos vagos com lágrimas contidas, apenas vagando pelo que iriam parecer intermináveis e inválidos dias.E então, me deixei sozinha ali, esperando terminar com meu amor imortal.
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